USO DO AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM GOOGLE CLASSROOM NO ENSINO DA ANATOMIA HUMANA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DA BAHIA
Maria Penha Oliveira Belém. Universidade Federal da Bahia. E-mail: mapbelen@gmail.com;
Introdução
As práticas pedagógicas contemporâneas têm passado por reestruturações e mudanças de paradigmas; neste cenário, emergiu o ensino híbrido (SCHEUNEMANN et al, 2020). A evolução tecnológica impulsionou estudantes e professores para a busca de novas ferramentas que pudessem mediar o ensino e aprendizagem (SIMÃO et al, 2017). Partindo desse pressuposto, de forma a dinamizar esse processo, iniciou-se no ano letivo de 2019, um projeto para criação de salas de aulas virtuais referente à disciplina Anatomia Humana no curso técnico de enfermagem do CEEP STI (Centro Estadual de Educação Profissional em Saúde e Tecnologia da Informação) Carlos Corrêa de Menezes Sant´Anna, localizado em Salvador - Ba.
A Anatomia Humana tem apresentado durante séculos os mesmos conteúdos. O que faz o seu diferencial é a metodologia empregada para trabalhá-los. O modelo tradicional, baseado nas aulas expositivas dialogadas associadas às práticas e realização de avaliações periódicas, tem-se mostrado ineficientes e inadequadas frente às atuais demandas educacionais do século XXI (VÁZQUEZ et al, 2005).
A AMERICAN ASSOCIATION OF ANATOMISTS (1981) propôs um conceito de Anatomia com a seguinte definição:
Anatomia é a análise da estrutura biológica, sua correlação com a função e com as modulações de estrutura em resposta a fatores temporais, genéticos e ambientais. Tem como metas principais a compreensão dos princípios arquitetônicos da construção dos organismos vivos, a descoberta da base estrutural do funcionamento das várias partes e a compreensão dos mecanismos formativos envolvidos no desenvolvimento destas.
A motivação para a realização do presente trabalho foi a partir da observação, da quantidade de livros didáticos ofertados a cada ano pelo MEC (Ministério da Educação) e SEC-BA (Secretaria da Educação da Bahia), mas que permanecem nas bibliotecas e estantes das escolas públicas e Centros de educação profissionais. É muito comum nas salas e corredores dessas instituições, os referidos livros, muitas vezes, ainda permanecerem fechados, reflexo de uma ausência total de uso por parte dos alunos e docentes. O material disponibilizado é de excelente qualidade, no entanto parece não despertar mais o interesse dos alunos.
Essa realidade começou a gerar inquietação e a despertar uma série de questionamentos na minha prática docente. Estarão os livros obsoletos? Pode ser que sim! Diante do contexto em que se vive, nesta e nas próximas gerações, necessita-se, com urgência, buscar alternativas que objetivem mudar a forma de transmitir e consolidar os conhecimentos dos estudantes na área de saúde.
O presente trabalho tem por objetivo relatar a experiência vivenciada na disciplina Anatomia Humana no curso Técnico de Enfermagem do CEEP STI Carlos Corrêa de Menezes Sant´Anna através do AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) com a criação e uso de salas virtuais no Google Classroom visando motivar e atrair a atenção dos alunos acerca dos temas trabalhados nas aulas presenciais teóricas e práticas de Anatomia Humana, destacando os benefícios para o processo de ensino e aprendizagem da disciplina, tornando, assim, as aulas mais dinâmicas, atualizadas, interativas e atualizadas. Ressaltam-se também, os desafios para os docentes e alunos na implementação das tecnologias no cotidiano dos Centros de Educação Profissional (CEEP) como capacitação e igualdade de acesso a todos.
O incentivo ao uso de AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) surge como um instrumento que visa mudar a forma de buscar o conhecimento através dos recursos digitais. Permite uma aproximação à realidade atual, tentando resgatar, portanto, o interesse e despertar a curiosidade pelos temas relacionados à Anatomia de forma mais lúdica, criativa, interativa, dinâmica e inovadora (MARCHIORI & CARNEIRO, 2018).
Dentre as atuais tecnologias disponíveis para auxiliar o processo de ensino da Anatomia Humana, elegeu-se para a consecução deste trabalho, o AVA Google Classroom. Através da criação e utilização de salas de aulas virtuais para complementação das aulas presenciais, visando motivar e atrair a atenção dos alunos acerca dos temas trabalhados nas aulas presenciais teóricas e práticas de Anatomia Humana no curso técnico de enfermagem do CEEP STI. Segundo IFTAKHAR (2016), a sala de aula on-line, permite que os participantes se comuniquem, visualizem apresentações ou vídeos, interaja com outros participantes e utilize recursos em grupos de trabalho, trazendo inúmeros benefícios para o processo do ensino e aprendizagem.
O Classroom foi anunciado pelo Google em maio de 2014 como uma nova ferramenta no Google Apps for Education e desde então tem sido progressivamente utilizada por instituições educacionais públicas e privadas em todo mundo (VENTAYEN et al, 2017), especialmente devido ao aumento da demanda pelos cursos à distância (MEC, 2018). O Google Classroom é uma plataforma gratuita, de fácil utilização, que visa auxiliar os docentes na organização, acessibilidade, disponibilização dos materiais didáticos, comunicação com os alunos, buscando sempre melhorar a qualidade das aulas. Os professores podem criar e receber tarefas guardá-las no Google Drive e dialogar em tempo real com seus estudantes (ROSITA et al, 2020).
A passagem do modelo de educação tradicional com aulas exclusivamente presenciais para o ensino híbrido, com a presença de salas de aulas e atividades virtuais complementares surgem como uma tendência para a educação. No momento atual, por conta da suspensão das aulas presenciais imposto pelo isolamento social em decorrência da COVID-19, observou-se uma busca acentuada e uma necessidade urgente para atividades pedagógicas realizadas remotamente (TORRES et al, 2020). Para isso, ações específicas no curso técnico em enfermagem no CEEP TSI precisam ser desenvolvidas e redimensionadas, construindo uma "nova perspectiva" para o processo de ensino e aprendizagem.
Desenvolvimento
Metodologia
Trata-se de um estudo qualitativo, com características descritivas, do tipo relato de experiência. As atividades foram realizadas no CEEP TSI, localizado em Salvador - BA, com aproximadamente 300 alunos na modalidade PROSUB (Educação Profissional Subsequente ao Ensino Médio) distribuídos pelos cursos de: Técnico em Enfermagem, Informática, Análise Clínicas, Segurança do Trabalho e Nutrição.
O trabalho foi realizado no curso técnico de Enfermagem na modalidade PROSUB, no contexto da disciplina Anatomia Humana, no semestre de 2019.1, no período matutino. A disciplina é ministrada nos dois primeiros módulos do curso por meio de aulas teóricas e práticas, com carga horária total de 20h. As aulas teóricas ocorrem em sala de aula presencial com turmas de até 35 alunos, sendo utilizados recursos como quadro branco, pincel e projetor multimídia. As aulas práticas são ministradas no laboratório de Enfermagem da instituição, sob supervisão do professor, utilizando maquetes anatômicas sintéticas, atlas e livros-texto dos próprios alunos ou da biblioteca.
O projeto foi apresentado aos discentes das duas turmas do primeiro módulo com o total de 68 alunos do curso técnico de enfermagem. Criou-se uma sala de aula virtual no AVA Google Classroom denominada Anatomia Técnicos de Enfermagem; inseriu-se um e-mail com detalhes acerca do funcionamento e objetivos da sala virtual; presencialmente, coletou-se os e-mails dos alunos e foram realizados os convites para ingresso na sala virtual. Após a aceitação dos convites por parte dos alunos, criou-se um canal de interação virtual onde foram disponibilizados os materiais didáticos acerca dos temas abordados na sala de aula presencial relacionados à Anatomia Humana, onde alunos e a professora tiveram contato constante durante todo o módulo.
Foram definidas tarefas, questionários, anexados links de atlas virtuais de anatomia e arquivos relevantes sempre após as aulas teóricas e práticas realizadas presencialmente. Geralmente, adicionava-se uma data de conclusão para as tarefas ou questionários criados, os quais entravam na agenda compartilhada da sala virtual. Para a resolução das tarefas e questionários propostos, o aluno anexava o trabalho pronto e enviava para o docente via Google Forms. Porém, além disso, também eram postados avisos aos alunos, informações gerais acerca de eventuais cursos e atualizações na área da Enfermagem.
Após o término do primeiro módulo, manteve-se a sala virtual no Google Classroom de forma a estimular a formação de um espaço para troca de informações e interação entre alunos e docente. Ao longo de todas as etapas a docente responsável e um grupo de apoio formado por discentes voluntários esteve sempre disponível para auxiliar os alunos, sanando eventuais dúvidas, especialmente em relação à navegação no AVA Google Classroom.
Resultados
A amostra desta pesquisa foi constituída por 31 alunos do curso técnico em enfermagem da modalidade PROSUB do CEEP TSI, em Salvador - Ba, com idades compreendidas entre os 18 e 45 anos. Num primeiro momento, 68 alunos foram incluídos para participar do estudo, no entanto, 15 referiram não possuir conhecimento suficiente acerca do Google Classroom; 10 não dispunham de tempo extraclasse para realizar as atividades propostas; 7 não possuíam computador, celular ou tablet para acessar a sala virtual e 5 recusaram-se a participar por falta de interesse.
De forma a alcançar os objetivos do estudo, iniciou-se com uma reflexão sobre as metodologias de ensino da Anatomia, as quais tem sido motivo de grandes preocupações para pesquisadores nas áreas da educação e saúde nas últimas décadas (LUFLER et al, 2020). A grande quantidade de termos técnicos e o caráter decorativo da disciplina torna o aprendizado desafiador e complexo. Estudos demonstram que recursos didáticos são instrumentos pedagógicos capazes de promover o aprendizado de maneira lúdica e interessante, munindo os profissionais com ferramentas atuais e eficientes, promovendo junto aos estudantes ganhos significativos na relação ensino e aprendizagem (MORAIS et al, 2008).
Os temas de Anatomia abordados nas salas presenciais e virtuais do presente estudo foram acerca dos órgãos e sistemas do corpo humano. Muitas vezes, torna-se difícil explicar ao aluno a importância de se estudar determinados assuntos da Anatomia quando a aula é ministrada presencialmente. Com as salas virtuais, convencer os discentes, especialmente os mais jovens, torna-se mais fácil, pois existe uma grande quantidade de recursos disponíveis que aumentam a capacidade argumentativa, facilitando a inter-relação do conteúdo com maior embasamento teórico-prático.
VENTAYEN et al (2017) citam recursos que podem ser usados nas alas virtuais, como por exemplo, links, vídeos no YouTube, infográficos, vídeo-aulas pré-gravadas, entrevistas, jogos, questionários, nuvem de palavras, editor de livros e imagens. Todos esses recursos didáticos funcionam como atrativos para os alunos, pois passam a entender melhor o tema abordado, associando sempre com a vida cotidiana e contribuindo para a construção de um aprendizado significativo.
SOARES et al (2018) em seus estudos analisaram a compreensão dos estagiários do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Estadual de Goiás sobre a influência das tecnologias digitais na educação e os possíveis processos de mediação pedagógica e afirmam que as tecnologias digitais estão presentes no contexto histórico e social dos alunos. Desse modo, o ambiente escolar deve perceber o potencial pedagógico desses recursos a partir da ressignificação de seu uso e dos processos de mediação didáticos e pedagógicos. Como ocorreu no presente trabalho, é necessário que os professores e alunos entendam as tecnologias como facilitadoras que trazem benefícios ao processo de ensino e aprendizagem e preparem os seus alunos para os desafios profissionais impostos ao mundo atual.
VILAÇA & ARAÚJO (2016) acrescentam que com o surgimento dos recursos digitais e, consequentemente, com o avanço da internet, abriram-se novas oportunidades que potencializam situações em que professores e alunos possam pesquisar, discutir e construir, individual e coletivamente, seus conhecimentos. Os instrumentos tecnológicos podem trazer novas perspectivas para uma educação mais significativa, em que o homem moderno poderá dar uma maior prioridade à aprendizagem que ao ensino. Podem também contribuir para a conquista da autonomia dos discentes a fim de que estes sejam indivíduos ativos e responsáveis pela construção do seu próprio conhecimento, contribuindo igualmente para a coletividade.
A utilização do
AVA Google Classroom na disciplina
Anatomia no presente trabalho, apresentou as seguintes vantagens:
- Maior
aproximação dos alunos com o docente, especialmente para os alunos mais
tímidos e reservados, já que, virtualmente, rompe-se uma barreira muitas
vezes imposta pela formalidade da sala de aula presencial;
- Possibilidade
de acompanhamento mais individualizado de cada aluno, permitindo mapear
fragilidades e pontos fortes, acompanhando a sua evolução;
- Possibilidade
de interação assíncrona, respeitando os limites da vida pessoal,
profissional e acadêmica, o que não ocorre nos contatos síncronos como os
grupos do Facebook, WhatsApp ou Instagram;
- O
fato de ser uma sala virtual reduz a quantidade de impressões e gastos com
papel e tinta, gerando maior praticidade, economicidade e estímulo à
adoção de uma atitude sustentável;
- As atividades propostas serem realizadas e editadas no próprio programa, por exemplo, através do Google Docs ou Google Forms;
- Relativamente
à identificação dos alunos, há uma maior facilidade já que a maioria dos
perfis na sala virtual vem acompanhado com fotos, o que muitas vezes não
ocorre nas aulas presenciais, pois muitas cadernetas não possuem foto do
aluno ou não há qualidade na digitalização;
- Há
que referir ainda uma maior celeridade nas correções das atividades
propostas, pois são feitas pelo próprio programa, disponibilizando, ainda,
um relatório final com as notas e médias obtidas.
O AVA Google Classroom na
disciplina Anatomia no presente trabalho apresentou as seguintes desvantagens no
presente trabalho:
- Muitos
alunos não possuíam o Gmail como e-mail principal (requisito básico para o
cadastro na sala de aula virtual no Google Classroom), embora a SEC-BA, por força do convênio com a Google, tenha instituído para todos
os alunos um e-mail gratuito da
plataforma enova ligada a navegador chrome
pertencente a Google, mas que
por desconhecimento e ausência de maiores informações até do pessoal da
secretaria da escola, muitos desconheciam, o que dificultou o cadastro de
alguns alunos e realização das atividades;
- Além
de depender da adesão dos alunos e migração para Gmail para a realização das atividades, era necessário, o
professor avisar constantemente em sala de aula presencial e
reforçar através das redes sociais, como WhatsApp;
- A
aplicação do Google Classroom no
contexto atual das salas de aulas em escolas públicas depende de conexão
constante à rede por parte do professor, exigindo, portanto, muito tempo
extraclasse.
- Ao
longo de todo o semestre, o docente e discentes tiveram que utilizar meios
próprios (celulares, tablets
e/ou computadores) para conseguirem dar continuidade ao projeto, o que
muitas vezes era inviável, pois muitos não dispunham dos recursos
supracitados;
- Alguns alunos tinham dúvidas acerca do material disponibilizado na sala de aula virtual, mas tinham a oportunidade de esclarecê-las nas aulas presenciais com a docente ou grupo de apoio voluntário.
No que diz respeito à prática docente no CEEP TSI, de uma forma geral observou-se uma rotina de trabalho com predominância de aulas expositivas dialogadas presenciais, que reforça a transmissão de conteúdos limitadas ao espaço físico e aos saberes inerentes aos alunos e professor. Sobre esse assunto, MOURA & MESQUITA (2010) afirmam que tanto o professor quanto o aluno necessitam de fatores como motivação, conhecimento e principalmente persistência, processo no qual, o docente também é aprendiz, possibilitando uma troca valorosa de papéis.
Como tudo, a implantação de uma nova metodologia pode levar algum tempo, ou não. Dependerá do estímulo e motivação ao uso do novo recurso e a forma como é transmitida aos alunos ao longo de toda a sua utilização. Na sua aplicação, se forem enfatizados os aspectos positivos do AVA Google Classroom, acredita-se que a aceitação será bastante positiva por parte dos alunos e professores nos centros de educação profissional.
Considerações finais
Referências
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Gostaria de parabenizar os autores pela redação e compartilhamento do trabalho. Meu questionamento é se os autores observaram, após realização das atividades virtuais, um interesse maior dos estudantes pela disciplina de anatomia e se a utilização de tal metodologia adotada repercutiu de forma positiva no processo de ensino aprendizagem dos estudantes. Foi pensada outra maneira de avaliação virtual, além dos questionários e tarefas, como forma de avaliar outras maneiras de expressão do processo de aprendizagem desses estudantes (como desenho, apresentação oral, etc)?
ResponderExcluirCara Gleice, agradecemos as considerações e questionamentos realizados. No curso técnico de Enfermagem a disciplina de Anatomia Humana geralmente é recebida com entusiamo pelos estudantes por ser o primeiro contato com o corpo, objeto de estudo do futuro profissional. No entanto, por se tratar de um conteúdo extenso, muitos acabam por desanimar um pouco ao longo do módulo. Através da sala virtual no Google Classroom, conseguimos motivar os alunos, especialmente os mais jovens, por ser algo novo e mais próximo à realidade digital em que nossos jovens estão imbuídos atualmente. Para além disso, disponibilizamos no Google Classorrom outros recursos didáticos interativos como livros, atlas de anatomia e links com casos clínicos (direitos autorais liberados), o que repercutiu muito positivamente no envolvimento e aprendizagem dos estudantes. No que refere à utilização de outras formas de avaliação, nós realizamos um trabalho paralelo baseado nas metodologias ativas através da confecção de modelos anatômicos, também em fase de publicação.
ExcluirTrabalho instigante, como docente deixo uma inquietação: de que ou de quais forma(s) a assimilação das possibilidades permitidas e estimuladas pelo AVA dialogam com pressupostos freireanos de participação, diálogo e construção de saberes? Como evitar que o AVA e o docente assuma uma hierarquia perigosa ou indesejável ante os(as) educandos(as)?
ResponderExcluirBoa tarde! Davi.
ExcluirDe fato é instigante perceber que, nós professores que entendemos que o ato de ensinar é um ato de cuidar, ficamos as vezes com o pé atrás com relação ao ensino virtual; porém, o maior pressuposto da pedagogia freireana é a dialogicidade e as plataformas inspiradas no AVA possuem a característica da interação; agora se o aluno interage ou não é uma questão a qual precisamos estar atentos e “cutucar” sempre; aliás, na sala de aula presencial, as vezes não precisamos provocar as discussões?
Sabemos que a pedagogia freiriana, ou método freiriano, como alguns gostam de falar, se baseia na dialogicidade, onde o educando dialoga com o professor e o ensino a distância traz um pouco disto. Percebemos que a construção dos saberes, tão presente nos modelos pedagógicos contemporâneos trabalha com a construção da aprendizagem a partir do que o aluno pensa e deseja. O AVA se enquadra perfeitamente neste modelo por que ao permitir que aja o diálogo aluno e tutor (facilitador) a construção do conhecimento e por conseguinte a aprendizagem ocorre de forma autônoma e fluída. Pensadores atuais como Morin, Coll e Delors entendem que não pode haver aprendizado sem a participação ativa do aluno expressa na sua vontade. Freire na década de 60 já afirmava que cada um é dono do seu aprendizado. Por fim o AVA é uma forma democrática da apropriação e controle pelo estudante do seu aprendizado, basta a ele desejar e buscar o acesso que, com uma boa tutoraria alcançara; e o que é melhor: o aluno é quem passa a ser o autor. No relato exposto vimos que apesar do esforço da professora e a sua participação nas intervenções e correções, a aprendizagem ocorreu em maior escala para aqueles que realmente queriam e iam mais além.
Obrigada pela partilha de conhecimentos Prof. Luiz Henrique Souza Teixeira.
ExcluirConsiderando as limitações apresentadas pelo trabalho no que diz respeito a dificuldade de alguns estudantes em manusear a ferramenta, bem como no acesso à internet, tablet e computador, gostaria de saber que outros tipos de atividades foram ofertadas a estes estudantes a fim de minimizar a exclusão causada por estas limitações e promover o aprendizado dos conteúdos.
ResponderExcluirJuliana Carvalhais Brito
ExcluirPrezada Juliana, Boa tarde. Desde já agradecemos pela leitura atenta do nosso relato. Conforme já era esperado, realmente o acesso à internet, computadores e uso do Google Classroom apresentou-se como um grande desafio do nosso projeto no curso técnico em Enfermagem. No entanto, o presente trabalho foi realizado em paralelo às aulas presenciais no semestre 2019.1 e a sala virtual criada no Google Classroom serviu apenas como complmentação às atividades realizadas presencialmente na sala de aula e no laboratório de Anatomia do Centro de Educação Profissional. Para tentar minimizar o fato de alguns não estarem presentes na sala virtual, especialmente para os que se mostravam interessados e envolvidos com trabalho, nós buscávamos mostrar o funcionamento do Google Classroom através dos celulares pessoais (com as suas devidas limitações) ou enviávamos o material disponibilizado na sala virtual para o e-mail do aluno. Leila Valverde Ramos
ExcluirPrimeiro gostaria de parabenizar pelo desenvolvimento do referido trabalho. Gostaria de saber quais dificuldades pedagógicas, observadas com todos os atores sociais envolvidos, neste novo instrumento tecnológico. (Maria Auxiliadora Freitas dos Santos)
ResponderExcluirCara Maria Auxiliadora, agradecemos desde já as considerações e questionamentos realizados acerca do nosso trabalho. De uma forma geral, como pontos positivos, pode-se destacar o uso da sala virtual no Google Classroom como possibilidade de realização do ensino assíncrono expandindo as ofertas para o espaço de aprendizagem remota e utilização novas TIC´s. Entretanto, algumas dificuldades surgiram, que certamente repercutiram negativamente nos aspectos pedagógicos, tais como possíveis falhas na comunicação nas salas virtuais, necessidade de maior compromisso por parte dos discentes, maior necessidade de formação por parte dos docentes e melhor planejamento das ações e adaptação aos recursos digitais. Quando as atividades didáticas eram realizadas utilzando recursos conhecidos como word, pdf ou links de vídeo no you tube, a maior parte da turma conseguia realizar sem grandes dificuldades. No entanto, quando envolvia algo mais novo como o Google Forms, alguns alunos já tinham mais dificuldades e precisávamos fazer tutoriais ou explicar detalhadamente nas aulas presenciais.
ExcluirParabéns pelo trabalho colegas,
ResponderExcluirGostaria de saber quanto à receptividade dos estudantes frente ao uso das tecnologias e a metodologia utilizada para o ensino híbrido?
Aproveito para convidá-los a participarem da RedeEPT - Bahia.
Em grupo de pesquisadores que discutem a Educação Profissional e Tecnológica a fim de contribuir com a produção do conhecimento nas diversas redes públicas que têm como temática a educação profissional.
Clique no link e sejam bem-vid@s.
https://forms.gle/tAh65ogkpDLpVAFx8
Aguardo vocês.
Grande abraço.
Agradecemos desde já as considerações e questionamentos realizados acerca do nosso trabalho. Quanto a receptividade, os estudantes participaram efetivamente da proposta, demonstrando interesse no desenvolvimento das atividades, no entanto observamos dificuldade por parte dos mais velhos, no que refere ao uso das ferramentas propostas na sala virtual no Google Classroom. Isso reflete uma necessidade urgente de inclusão digital de parte dos alunos da EPT, principalmente no período que viveremos pós-pandemia, no qual haverá uma tendência ao ensino híbrido. O uso das tecnologias também gerou uma maior aproximação dos alunos com o docente, possibilitando um acompanhamento mais individualizado de cada aluno, permitindo mapear fragilidades e pontos fortes, possibilitando ao docente um melhor acompanhamento da evolução dos estudantes.
ExcluirMaria Penha Oliveira Belém
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirParabéns aos autores pelo excelente trabalho!
ResponderExcluirSou docente da Educação Profissional e penso que, no atual contexto, temos que inserir novas ferramentas em nossos fazeres pedagógicos. São muitos atravessamentos que perpassam pelo contexto em sala de aula, com implicações políticas, sociais, econômicas e culturais.
Acredito na potencialidade do Google Classroom, pois permite aproximarmos da geração alfa que nossos alunos se situam. Entretanto, acredito que somos desafiados continuamente, pois, na maioria das vezes, ainda estamos insistindo e persistindo num ensino tradicional.
Seguem algumas reflexões:
Como utilizar ferramentas tecnológicas em contextos tão distintos entre os Centros de Educação Profissional?
Como atrair os docentes para utilizarem essas ferramentas tecnológicas em seu fazer pedagógico?
Há-braços, Lília.
Cara Lília, boa tarde! Muito obrigada por seus comentários tão enriquecedores ao nosso relato. Nós que estamos em sala de aula sabemos o quanto é desafiador enfrentar contextos tão heterogêneos nos centros de educação profissional, com recursos variados, idades diversificadas, estudantes-trabalhadores, dentre outros aspectos relevantes que interferem diretamente em nossa práxis. No entanto, as TIC´s (Tecnologias da informação e comunicação) devem ser inseridas nos contextos de uma forma GRADUAL de forma a incluir discentes e docentes (como foi a proposta realizada no presente trabalho em 2019.1). Certamente, o que observamos no momento atual de pandemia, no qual observou-se uma passagem brusca do ensino presencial para o ensino remoto emergencial, não é a situação ideal. A forma de atrair os docentes para as TIC´s é através das formações! os professores precisam conhecer as ferranmentas disponíveis e colocá-las em práticas com seus alunos! A partir daí poderão perceber, por exemplo, o quanto pode ser mais rápido e prático corrigir 100 avaliações, através de único clique no Google forms.
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