O PIBID COMO POTENCIALIZADOR DE NOVAS METODOLOGIAS PARA O ENSINO DE GEOGRAFIA

 



Jerfeson Alves da Costa. Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA. E-mail: jerfesnalves8765@gmail.com;
Maria Jocilene Lima da Silva. Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA. E-mail: jocilenelimma16@gmai.com.


INTRODUÇÃO

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, tem como objetivo promover a capacitação e aperfeiçoamento da prática docente em escolas de ensino médio e fundamental. O presente relato adveio das experiências obtidas através do programa na Escola EEMTI Prefeito José Euclides Ferreira Gomes Júnior, localizada em Sobral – Ceará. Foi nessa escola de tempo integral, através da vivência cotidiana com os alunos do ensino médio que os bolsistas conseguiram desenvolver diferentes metodologias de ensino visando um crescimento profissional atento para a  construção do senso crítico, promovendo assim  eventos em que os alunos se sintam a vontade em participar como  feiras, debates e rodas de conversas. O presente relato tem como objetivo principal, abordar a importância do programa como formento para o desenvolvimento de novas metodologias de ensino dentro e fora da sala de aula, utilizando-se como base teórica autores como, Helena Callai, Nídia Pontuschka, e Ângela Silva. Deste modo, procura-se através desse pequeno relato entender a relação aluno/professor enquanto   profissionais em formação. 


DESENVOLVILMENTO


O ensino de geografia muitas das vezes é considerado como abstrato, deixando muitas vezes o aluno sem compreender o conteúdo, ou não é capaz de compreender devido possuir um teor figurativo. Na escola Prefeito José Euclides não é diferente, os alunos lidam com determinados assuntos com indiferença tais como: geomorfologia, solo, relevo, clima, demografia, urbana, conflitos sociais etc. É nesses assuntos que surge a seguinte indagação, como transformar esses temas em assuntos de possível assimilação, ou um conteúdo palpável para os alunos? De fato, é uma pergunta que nos faz questionar a importância dos programas de formação de professores, como no caso o PIBID. Na escola atuava um grupo de 8 bolsistas que eram responsáveis de desenvolver diferentes práticas metodológicas.
A escola é de tempo integral, a professora responsável por receber os bolsistas atuava apenas no período matutino e o curso de geografia dos bolsistas era matutino, então surge um desafio para os bolsistas, de como trabalhar no período matutino sem se prejudicar na academia, a resposta dada à elas eram o período de almoço dos alunos por volta de 11:30 as 13:00 ou o tempo livre na academia. Para desenvolver as metodologias os bolsistas tiveram que utilizar essa janela de tempo disposto pela preceptora. Desta forma, o desenvolvimento das atividades foi dividido em etapas, concebendo a primeira da pesquisa bibliográfica de autores e posterior a construção das metodologias.
As atividades desenvolvidas nessa janela de tempo foram: Intolerância: para que o mundo jamais se esqueça e Mostra de Mapas temáticos. Essas atividades foram consideradas de extrema importância pela supervisora por julgar que promoveu uma maior participação dos alunos nelas, como mostra as figuras a seguir da atividade Intolerância.

Figura 1: Evento Intolerância para que o mundo não se esqueça. 

 

Fonte: dos Autores, 2019. 


Figura 2: Evento Intolerância para que o mundo não se esqueça. 

 

Fonte: dos autores, 2019. 


Nessa atividade, o tema trabalhado relacionava-se com racismo, sendo trabalhado uma semana antes do dia da consciência negra, essa atividade durou uma semana nela utilizamos da gamificação para um melhor engajamento dos alunos e imagens, que segundo Pontuschka, (2007, pag. 278) “As imagens estão a invadir nossas casas, os painéis e outdoors, acompanhando-nos onde quer que estejamos.” Ou seja, o uso de imagens durante a exposição vai acompanhar eles durante o dia inteiro e a semana que perdurar a atividade promovendo uma reflexão sobre as atitudes deles em relação ao racismo. Nessa atividade, os bolsistas trouxeram temas geográficos para uma assimilação como o dia da consciência negra, apresentando dados de pessoas negras que entraram no ensino superior, a disparidade salarial entre pessoas brancas e negras e taxa de desemprego. Foram abordadas as categorias de análise geográfica durante a exposição, para posterior a preceptora realizar um diálogo em sala de aula sobre os temas trabalhados na exposição.
Na segunda atividade, que foi uma discussão sobre a importância da preservação da Amazônia, levamos alguns dados sobre ela e sua biodiversidade, abordamos a relação da mesma com o clima e como fator contribuinte na manutenção das chuvas na região sul e sudeste. Diferente da outra atividade, está trabalhou a oratória de cada aluno, um assunto era posto na lousa e cedido a palavra para eles sobre sua perspectiva.  Nas figuras a seguir, exibe um pouco desta atividade.

Figura 3: grupo de alunos exibindo a realização da atividade sobre Amazônia 

 

Fonte: dos autores, 2019. 

      Nesta atividade, a participação discente foi importante para o entendimento e preocupação sobre os recursos ambientais e sua preservação além de fazer ligação com outros temas da geografia como: clima, vegetação, relevo e questão agraria, trazendo à tona o papel da Terra e as disputas que interlaçam elas. Nesse sentido, quando trazemos essa relação ao indivíduo promove-se uma compreensão do espaço em que o ser está instituído, que segundo Callai, (2001, pág. 141) “A relação do indivíduo com o seu meio, a compreensão do espaço construído no cotidiano, os microespaços que são os territórios do indivíduo, da família, da escola, dos amigos, devem ser incorporados aos conteúdos formais que as listas de Geografia contêm.” Nesse sentido, esses debates acerca das atividades didáticas promovem uma discussão sobre os espaços em que os estudantes estão inseridos. Na figura a seguir, exibe o debate realizado acerca da atividade da Amazônia e sua importância.

Figura 4: Questões do ENEM e Amazônia.  

 

Fonte: dos autores, 2019. 

        Com as provas do ENEM chegando e a pauta agrária sendo um assunto que sempre possuem um bom número de questões na prova, a preceptora sugeriu utilizar os cadernos do ENEM que a escola recebeu do Estado, foram utilizados pelos bolsistas com o propósito de indagar sobre as questões que eles colocaram, fazendo correlação com o caderno de questões do ENEM. Durante a atividade, os bolsistas orientaram os alunos a acessarem sites que tratem deste assunto para um melhor entendimento e dúvidas que poderiam surgir.
Essas atividades foram realizadas em períodos diferentes, embora tenha ocorrido diversas outras atividades na escola essas duas foram categorizadas com uma maior participação dos alunos, diferentes das demais que ocorriam dentro da sala de aula.
A relação aluno professor foi posta em diferentes maneiras, procuramos sempre se colocar no lugar do aluno, possuindo a seguinte indagação este conteúdo é acessível para mim? Se a resposta fosse sim, estudávamos e procuramos criar metodologia para transmitir aquele conteúdo como argumenta Silva, (2008, pág. 38) “Os materiais didáticos são instrumentos de apoio às tentativas de vencer os obstáculos no ambiente escolar, principalmente no que tange ao ensino da Geografia, (...)”. Em vista disso, a produção de materiais didáticos através do PIBID torna-se um grande auxiliador para a ruptura de metodologias antigas e criação de novas, a partir da manutenção do programa para os estudantes de licenciaturas possam continuar a desenvolver metodologias e aperfeiçoar suas práticas docentes. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

      As atividades apresentadas no presente relato abordam a importância do PIBID e suas contribuições para desenvolvimento da prática docente. Durante o relato, foi apresentado os objetivos que era evidenciar o programa como potencializador no desenvolvimento de novas práticas docentes, à vista disso é importante reiterar a manutenção do programa para as diferentes licenciaturas do país, afim de uma política que possa dar continuidade e oportunidade aos futuros professores podendo  promover um ensino lúdico, palpável e de fácil compreensão, evitando assim a reprodução da educação bancaria. Diante das argumentações apresentadas, deve-se repensar a continuidade do programa afim de aprimora-lo com o intuito de promover mais políticas públicas como esta como grande potencializadoras na formação de educadores.

REFERÊNCIAS

CALLAI, Helena Copetti. A Geografia e a Escola: muda geografia? Muda o Ensino? Revista Terra Livre, São Paulo, 2001, nº19, p. 133-152. Disponível em < http://www.agb.org.br/publicacoes/index.php/terralivre/article/view/353 :> acesso em 23 de agosto de 2020.

PONTUSCHKA, N. N; PAGANELLI, T. I, CACETE, N. H. Para ensinar e aprender Geografia. São Paulo, CORTEZ, 2007. Disponível em: < http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/deb_nre/ensinar_aprender_geografia.pdf  >: acesso em 22 de agosto de 2020.

SILVA, Ângela Maria de Andrade. O ENSINO DA GEOGRAFIA E OS RECURSOS DIDÁTICOS: UMA AVALIAÇÃO INICIAL ACERCA DOA MATERIAIS DE ENSINO E LIVROS DIDÁTICOS. UBERLÂNDIA, 2008, 35p.


Comentários

  1. Inicialmente quero parabenizar pelo trabalho e dizer que o título me chamou atenção logo de início. Como ex bolsista do Pibid compreendo o Programa como fundamental tanto para estudante de licenciatura, quanto para a escola parceira. Gostaria de saber como foi o entrosamento dos estudantes nas atividades propostas e como práticas metodológicas como essas contribuem com o processo de ensino-aprendizagem?

    Maíra Vitória Moreira dos Santos

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    1. Olá, Maíra.

      A princípio muito obrigado! Respondendo sua pergunta, o entrosamento no começo foi um pouco complicado, digo, a escola localiza-se em uma periferia e muitas vezes os alunos acreditavam que estávamos ali para julgar ou algo do tipo, mas que foram sendo descontruído com o passar do tempo. A tática sugerida pela supervisora foi almoçar junto com eles, como a escola era de tempo integral a facilidade era grande. O nosso grupo se dividia e se sentava entre eles, para eles entenderam que nossa intenção não era julgar ninguém. Só a partir disso que a gente perguntou o que eles gostavam de fazer e o que gostariam de estudar, o que faltava e o que eles consideravam interessante, nesse sentido nossas metodologias foram construídas acima desses das ideias deles. Essa prática contribui no sentido da aprendizagem participativa, em que o aluno e professor ambos participam para a construção do conhecimento, já que saímos do padrão, nada de uma sala fechada e explicar conteúdo, era bem mais viável eles verem e participarem junto conosco na construção das atividades.

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  2. De início quero parabenizar os autores pelo relato efetuado e dizer que o conteúdo me chamou bastante atenção, uma vez que na maioria das vezes a disciplina de Geografia acaba sendo banalizada pelos alunos por motivos de abstração e a confusão que muitos fazem com as diferentes esferas trabalhada ao longo do ano. Por isso, fica evidente a necessidade de uma diversificação da metodologia como retratado no relato. Assim como a disciplina de Geografia não busca apenas ensinar sobre o conteúdos de clima, relevo, biomas, solos etc. Dessa forma é de extrema importância repassar para os alunos que a Geografia não é essa disciplina abstrata mas uma disciplina integradora, que a partir de diferentes temas socioambientais pode contribuir bastante na formação de cidadãos ativos que intervenham em seu meio, com a finalidade de reduzir as desigualdades sociais e os impactos socioambientais. A vista disso, gostaria também de convidar os autores à leitura do meu trabalho que trata sobre a temática ambiental, GD4 PRÁTICAS INTEGRATIVAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL. Por fim, gostaria de saber como os alunos após o término do projeto efetuado mostraram-se engajados e quais mudanças de hábitos durante as aulas de Geografia foram possíveis visualizadas?

    (Vitória Rodrigues Santos Pinheiro)

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    1. Bom Vitória, obrigado pela pergunta! Eles se tornaram mais receptivos a novas práticas, passaram a assimilar os aspectos geográficos presentes em seu meio com que foi visto pelo PIBID. Mostrou-se ainda o entusiasmo deles em querer aprender algo de maneira diferente, para tanto, depois que fizermos tal atividade, ocasionou que eles sempre desejam algo novo, inédito, e cabia a nós inovar. Eles mesmo queriam que toda aula a gente trouxesse uma característica de determinado assunto, algo palpável.

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  3. Parabéns pelo trabalho!! . Gostaria de saber se entre os alunos do ensino médio tinha algum com deficiência e como foi o entrosamento dos bolsistas com estes estudantes nas atividades propostas?
    Liz Leal mota Capistrano

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    1. Olá Liz. Obrigado pela pergunta, sim, existe um garoto surdo. Ele tinha interprete e eu junto com a autora do trabalho, participávamos de um encontro com a comunidade surda, isso auxiliou bastante o nosso repasse de conteúdo, já que teve uma interação com ele. Ele podia tirar dúvidas com nós já que temos uma boa vivência na comunidade surda de Sobral.

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  4. Olá, quero parabenizar todx vocês bolsista, o Pibid é um programa que deve crescer mais e mais, atendendo todas escolas publicas do Brasil. Eu fui bolsista do Pibid ano passado, e minhas práticas de pedagógicas se assimilam muito com a de vocês, sobre isto, elas deram um resultado positivo, nas avaliações com os alunos?
    Vocês em algum momento do Programa, trabalharam assuntos transversais com os alunos?

    Forte abraço, Bruno Sobral Barrozo.

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    1. Olá, Bruno, obrigado pela pergunta! Sim, muitas atividades desenvolvidas deram resultados positivos, alguns alunos tinham dificuldades com a geografia física, outros nem tanto, então sempre buscávamos interações com os laboratórios do nosso curso para auxiliar em matérias para a produção de oficinas. Sim, a gente trabalhou temas transversais como: MST, MTST, Racismo, Questão de Gênero e Perspectiva de futuro.

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    2. Eu posso imaginar os desafios! muito obrigado, o trabalho de vocês é lindo!

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