Introdução
Muito
se têm discutido sobre a veracidade da ciência, as implicações da tecnologia e
suas consequências sociais e ambientais. Reconhecer essas inter-relações
provenientes de pesquisas das mais diversas áreas do conhecimento é
imprescindível para entender e reclamar como a ciência e a tecnologia impactam
na sociedade, nas suas relações produtivas e na manutenção consciente dos
ecossistemas necessários para vida.
Para
promover o diálogo entre ensino de ciência e educação profissional e
tecnológica é preciso primeiro alfabetizar cientificamente os estudantes pela
autonomia da ação em pesquisa, a partir do conhecimento contextualizado,
possibilitando ao professor a responsabilidade de conduzir o processo de
aprendizagem pela perspectiva da construção coletiva do conhecimento, uma
prática cognoscitiva de capacidade de conhecer, auxiliar a descobrir (FREIRE,
1996). O aluno por sua, poderá apropriar-se da importância dos estudos de CTSA
– Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente, compreendendo o consenso e a negociação
que deverá haver na resolução de problemas em benefício à natureza, ao
desenvolvimento tecnológico e a coletividade.
Desse
modo, para se construir uma cultura de intervenções significativas e
democráticas em sociedade, a prática educativa deverá transpor o conteúdo,
norteando o aluno para problematizar sua realidade dialogicamente e, então,
interiorizar a responsabilidade da mudança, assumindo em paralelo a autoria do
seu conhecimento (FREIRE, 1996).
Santos
e Mortimer (2002) enfatizam que os estudos de CTS se encontram em um campo
multidisciplinar, porém ainda são abordadas nas escolas com o foco voltado às
disciplinas-base, sem as devidas interações com as demais. Isto acentua o
posicionamento de Hebermas (1983), segundo o qual a ciência, desse modo, passa
a assumir uma legitimação da dominação do homem com o auxílio direto das
metodologias das ciências sobre a natureza, pois evidencia em sala de aula o
ensino de pesquisa como específico para determinadas áreas, sem a preocupação
de desenvolver no aluno a habilidade de problematizar a situação diante do que
ocorre em seu entorno, ter uma participação ativa: Tal abordagem minimiza a
oportunidade de experimentar as múltiplas possibilidades de construção e
desconstrução de sua aplicabilidade com transversalidade de conhecimentos.
No
entanto, para que ocorra a ação crítica e transformadora do aluno, como
defendida por Freire (1996), é preciso haver mudanças na prática educativa.
Deve-se abrir mais espaço para o aluno questionar, numa ação crítica dialética
entre professor – aluno, reciprocamente. Procedimentos como esses, são muitas
vezes interpretados como descontrole de sala, diante do poder do conhecimento
do educador legitimado em anos de estudos, enfraquecido por meio de um
questionamento de um estudante.
Fomentar
a associação do conteúdo aos problemas reais que afligem a sociedade na qual a
escola se encontra e envolver ações concretas de pesquisas que reflitam à
intervenção da realidade, implica também problematizar limitações do
conhecimento científico para compreender e resolver problemas sociais. É
preciso salientar o entendimento outros modelos de desenvolvimento, que busquem
satisfazer as necessidades básicas de uma determinada população e não somente a
pesquisa que gera lucros econômicos, ensinar e aprender na intencionalidade de
uma cultura de participação social (STRIEDER et. al, 2016).
A
situação do ensino médio integrado apresenta-se com um agravante: que é a baixa
disponibilidade de materiais didáticos desenvolvidos especificamente para esse nível
de ensino. O que fortalece o foco de pesquisa para disciplinas básicas,
principalmente no que tange a CTSA, e deixa a desejar no eixo colaboração para
construção de materiais didáticos da Educação Profissional e Técnica - EPT de
nível médio.
Essa
escassez de materiais para EPT acentua a importância dos mestrados
profissionais, em atenção ao Programa de Pós-graduação em Educação Profissional
e Tecnológica – PROFEPT, que têm desenvolvido pesquisas aplicadas para alunos
dos cursos integrados e subsequentes do ensino médio, no intuito do
conhecimento além da profissionalização, questionando, pesquisando e
ressignificando a aprendizagem.
Esses tipos de programas têm
colaborado para ampliação da inserção da educação científica nos eixos
profissionalizantes, e é a partir dessa relevante colaboração que se estrutura
o desencadeamento desse relato de experiência.
Descrição
do contexto da experiência e procedimentos
As
experiências em educação científica e CTSA descritas nesse relato se passam
nesse âmbito da EPT, em um curso Técnico de Administração Integrado ao Ensino
Médio, de uma escola pública, denominada de Colégio Estadual Conceição do
Jacuípe (CECJ) na cidade de Conceição do Jacuípe – BA. Trata-se de um
estabelecimento reconhecido como referência pela Secretaria Estadual da Bahia
como escola modelo para aprimoramento curricular e um dos precursores na oferta
de educação profissional concomitante e subsequente de ensino médio desde a
década de 60, segundo o Projeto Político Pedagógico (2017) do mesmo.
Dentre
as disciplinas que compõem o curso Técnico em Administração Integrado, está a
de Gestão de Impactos Socioambientais, ofertada na segunda série do nível
médio. Seus pressupostos estão diretamente relacionados ao campo do
conhecimento de CTSA, pois, sua ementa engloba, conforme estabelece a Diretoria
de Organização Curricular e Pedagógica do Estado da Bahia, entre outros
parâmetros, a articulação entre impactos ambientais e o desenvolvimento
socioeconômico e tecnológico, bem como a construção de uma consciência crítica
diante das questões ambientais e comportamentos de responsabilidade social que
contribuam para redução do mesmo.
Partindo
desse contexto, durante a Jornada Pedagógica ocorrida em fevereiro de 2019, foi
apresentado ao corpo de professores da área técnica o calendário de atividades
extracurriculares obrigatórias, tendo como umas das ações principais a
realização da Feira de Tecnologia – Feira TEC, evento que compõe o planejamento
de projetos estruturantes das escolas estaduais baianas que ofertam a educação
profissional e tecnológica.
Acordou-se
o período para realização do evento, em outubro do mesmo ano, bem como uma
reestruturação na construção e apresentação dos trabalhos. Embora a Feira TEC
estivesse na sua oitava edição, até aquele momento não havia produção
científica de qualidade construída pelos alunos que pudesse ser aproveitada
para um evento científico, apesar dos mesmos possuírem disciplinas como
Metodologia da Pesquisa e Projeto Experimental, além da obrigatoriedade de
construção de um Trabalho de Conclusão de Curso – TCC.
Em
conjunto, professores e coordenação, acordaram que a Feira de 2019 buscaria uma
aproximação das apresentações de eventos científicos e deste modo foram
pensadas ações para estimular nos estudantes a percepção e a crença nos seus
potenciais de pesquisadores.
Para
o início das atividades foi proporcionado um acolhimento propulsor aos
estudantes sobre educação científica e tecnológica, no primeiro momento, não
foram introduzidos conceitos do que a compunha. A alternativa pensada para
iniciação se deu através de uma roda de conversa, ocorrida num dia de sábado,
com uma pessoa que viveu um cotidiano próximo da realidade deles, alunos de
escola pública numa cidade de economia de base agrícola.
Sendo
assim, a convite, a pesquisadora da Universidade Federal da Bahia, Doutora em
Administração, Aleciane Ferreira, realizou um “bate-papo” sobre a sua
trajetória de vida, apresentando sua infância de dificuldades, trabalhando no
cultivo do sisal desde os 4 anos de idade, e com a fase escolar de base somente
iniciada aos 7 anos de idade todo ele desenvolvido no ensino público.
É
importante salientar que a convidada enfatizou o incentivo dos professores do
ensino médio pela continuidade nos estudos, para a leitura além dos livros
didáticos, bem como a busca desses educadores em conscientizar os alunos da
importância da pesquisa, do questionamento, da busca de respostas, mesmo em um
tempo em que não era tão evidenciada a disseminação da educação científica no
ensino médio e, principalmente, em instituições públicas do estado.
A
pesquisadora abordou também sua entrada no curso superior em Administração após
ser premiada por uma bolsa de estudo do Programa Faz Universitário, oriundo da
parceria ocorrida entre as Secretarias de Educação e da Fazenda, que cadastrava
os melhores alunos do ensino médio da rede pública estadual para concorrer a
bolsas de estudo para universidades e faculdades particulares envolvidas no
Projeto de Educação Tributária da Bahia em 2002 (PORTAL UNIVERSIA BRASIL). A
partir desse acontecimento, tido como algo remoto para sua realidade,
verticalizou os seus estudos para o nível superior, e hoje se encontra doutora
na área de Administração.
Esse
relato gerou estímulos positivos de forma que após o evento de abertura
dinamizou a proposta de promoção científica da construção de um paper, um pequeno artigo científico
sobre uma disciplina do eixo tecnológico, Gestão de Impactos Socioambientais.
Esse trabalho seria desenvolvido durante o segundo e terceiro ciclos letivos,
com vista a oportunizar aos estudantes da segunda série do ensino médio
integrado, abertura para concretizar os pressupostos trabalhados nas
disciplinas de Metodologia e Projeto Experimental, através de uma pesquisa
aplicada na área da Administração no campo da gestão de impactos ambientais,
analisando a região que residiam e seu entorno.
No
entanto, apesar de organizar a nova proposta da Feira TEC, e esta ser vinculada
a uma disciplina da área técnica, a primeira barreira enfrentada foi encontrar
materiais didáticos que contribuíssem para o estudo de impactos ambientais que
trouxessem uma problematização, um pensamento crítico e com linguagem adequada
ao nível médio.
Diante
desse dilema, Programa de Mestrado Profissional em Educação Profissional e
Tecnológica, através da parceria com o professor e orientador Doutor Fábio Nunes,
especialista e consultor em Avaliação de Impactos Ambientais, auxiliou
significativamente no processo de organização de um material didático de apoio
para suprir, no primeiro momento, a carência da falta de livros e instrumentos
didáticos direcionados a essa área do ensino técnico em administração. Mais
tarde, o mesmo serviria de análise teórico-prática, para construção do produto
educacional exigido para finalização do mestrado.
O
material de apoio desenvolvido foi trabalhado em sala, com aulas organizadas
entre três momentos: o primeiro, conceitual, com explanação do professor sobre
o conteúdo do referido material; o segundo, reflexivo, por meio das críticas
compartilhadas sobre o que aprenderam e o paralelo com a realidade dos
estudantes; o terceiro, de questionamentos, com a elaboração de listas de
perguntas e problemas sobre impactos ambientais sem ainda respostas devidas,
que ocorressem na sua cidade de Conceição do Jacuípe.
A cada avanço no assunto, era
trabalhada a prática dos três momentos, e o terceiro sempre apresentava uma
etapa de pesquisa científica, de acordo com as normas da ABNT e das aulas de
Metodologia da Pesquisa e Projeto Experimental trabalhadas por outros
professores colaboradores da escola. Assim os alunos foram cumprindo cada etapa
da ferramenta japonesa de qualidade 5W2H, que é um plano de ação (FRANKLIN,
2006), muito utilizada na área administrativa e que também fora adaptada para
orientação de etapas de execução e implementações para pesquisas científicas.
Figura 1 – Ferramenta administrativa
5W2H aplicada a pesquisa.
Fonte: Elaborado pelos autores.
Imagens de domínio público.
As
primeiras impressões relatadas pelos alunos na construção do paper, cuja a temática geral era a
avaliação de impactos ambientais na cidade de Conceição do Jacuípe, foram de
estarem conseguindo colocar em prática a matéria de Metodologia da Pesquisa a
partir de problemas que eles conhecem há anos. Com isso, constatou-se
primeiramente uma diminuição, na proporção dos avanços da pesquisa, das dificuldades
como leitura científica, entendimento da ABNT – Associação Brasileira de Normas
Técnicas e, noções de plagiarismo.
Importante
salientar que foi exposto aos estudantes que a pesquisa aplicada, muito
utilizada no campo administrativo, fora apenas o marco para o início do fazer
científico, os primeiros passos para uma alfabetização científica, mas que
existem inúmeras formas metodológicas de pesquisa relevantes.
Na
escola era percebido, por muitos professores e alunos de outras turmas, na
linguagem, nas atitudes, o aumento do interesse deles em pesquisas. Houve
mudanças na perspectiva da escrita científica após pesquisa de campo, ficando
constatado que estava havendo uma interação entre as matérias de Metodologia,
Experimental e Gestão no contexto dos impactos ambientais.
A
pesquisa ocorreu de forma individual, por escolha dos alunos, e os temas
delimitados foram resultantes da temática principal, Impactos Ambientais.
Quadro 1 - Listagem de temas dos papers apresentados na Feira TEC.
- A convivência com a expansão
desestruturada da cidade de Conceição do Jacuípe e seu impacto ambiental
negativo;
- A contaminação
do lençol freático por conta dos cemitérios na cidade de Conceição do
Jacuípe;
- Análise do
gerenciamento de resíduo hospitalar em Conceição do Jacuípe;
- Avaliação de
impactos ambientais provindos de restos de materiais após construção
civil no município de Conceição do Jacuípe;
- Avaliação do
lixo urbano na cidade de Conceição do Jacuípe;
- Consciência
ambiental nas construções civis de Conceição do Jacuípe: construir sem
destruir;
- Descarte
incorreto de lixo doméstico na cidade de Conceição do Jacuípe;
- Descarte
incorreto de lixo doméstico num município rural;
- Descarte de lixo
eletrônico e suas consequências ao meio ambiente: avaliando o município
de Conceição do Jacuípe;
- Impacto causado
pelo descarte de lixo orgânico no meio ambiente presente em Conceição do
Jacuípe;
- Impacto do lixo
hospitalar infectante na cidade de Conceição do Jacuípe;
- Impactos
ambientais causados através de um cemitério: análise na cidade de
Conceição do Jacuípe;
- Impacto da
poluição sonora no cotidiano da população de Conceição do Jacuípe-Ba;
- Impactos das
sacolas plásticas no meio ambiente: algumas impressões na cidade de
Conceição do Jacuípe;
- Problemas
causados pela falta de uma rede de escoamento de água numa cidade rural
do interior da Bahia;
- Uso e descarte
indevidos de canudos plásticos na feira de Conceição do Jacuípe.
|
Fonte: Os autores (2019).
Para
primeira experiência, tanto da escola quanto dos alunos, pode-se considerar o
nível de pesquisa e escrita como muito bom. Mas, reconhecendo que melhorias na
continuidade da pesquisa seriam necessárias, sempre, a qualquer pesquisador, os
alunos demonstraram consciência desse fato, que é o interessante, valoroso e
emancipatório.
Figura 2 – Registro da Feira TEC 2019
Fonte: Imagens arquivo pessoal dos autores (2019).
A
turma possuía um total de 24 alunos,. mas durante o desenvolvimento dos papers apenas 16 perseveraram e daqueles
que desistiram, 2 recusaram-se a fazer outra atividade substituta. Isso
demonstrou que existiram falhas na aplicação em alguma etapa do planejamento de
ensino e aprendizagem, o que causou um incômodo de como e que abordagem seria
mais adequada para alcançar uma maior quantidade de estudantes dispostos a
pesquisar.
O
trabalho desenvolvido para o projeto estruturante do Ensino Médio Integrado ao Curso
Técnico, a Feira de Tecnologia - Feira TEC, iniciou-se no dia 04 de maio 2019,
começo do II ciclo letivo e teve sua culminância em 30 e 31 de outubro do mesmo
ano no III ciclo, por meio da exposição de banners,
com tamanho e escrita em conformidade ao padrão da ABNT, porém confeccionados
com papel metro, cabo de vassoura para dar sustentação, lápis de cor, caneta
hidrocor e marcador de texto, pois não havia recursos disponíveis para
produzi-los em gráfica.
Os
alunos de outras turmas da escola e os visitantes do nono ano do Ensino
Fundamental II de outras instituições públicas e particulares do município que
veem à escola como referência para estudos no Ensino Médio, demonstraram
interesses, pelas pesquisas e do mesmo modo os professores dessas instituições
elogiaram o pioneirismo da escola em pesquisas científicas aplicadas na região.
O
mais interessante de todo processo foram os relatos de felicidade e satisfação
dos estudantes pelo reconhecimento de colegas e professores da pesquisa deles.
Tiraram fotos para colocar em status
de redes sociais e no site da Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Na
semana após as apresentações, realizou-se uma nova roda de conversa, agora
analisando os feedbacks daquilo que
foi trabalhado em sala. Os estudantes que não participaram, preferiram não se
pronunciar, mas ficaram em sala ouvindo atentos os outros. Os que participaram
relataram que o material didático foi importante para ter um referencial
teórico em mãos para estudar e consultar, além de dialogar sempre com sugestões
e curiosidades.
Informaram que a pesquisa aplicada
na cidade que estudam e vivem ajudou muito a entenderem as matérias de
Metodologia da Pesquisa e Projeto Experimental e que se sentiram importantes
apresentando algo que eles escolheram pesquisar, recebendo elogios e incentivos
para continuarem. Desses alunos, dois foram convidados pelos professores da
PROSUB – Profissional Subsequente e PROEJA – Programa Nacional de Integração da
Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade Jovens e Adultos
(turmas noturnas) para apresentarem seus relatos de constatação de suas
pesquisas, dificuldades enfrentadas e sugestões para quem estava começando a
empreitada de iniciação científica.
Considerações Finais
O
desenvolvimento deste trabalho com um grupo de adolescentes do Ensino Médio
Integrado permitiu constatar que para a formação e condução técnica pode-se e
deve-se ter uma perspectiva além da preparação para o mundo do trabalho. O fato
de aprender uma técnica, um procedimento técnico administrativo, ou de qualquer
outra área não deverá ser visto como imposição futura de atuação, mas como um
conhecimento a mais que pode ser adaptado a outros, e o estudante ter a
liberdade de optar na sua aplicação.
O
interessante foi observar que este trabalho promoveu impactos benéficos aos
estudantes, até mesmo aqueles que não finalizaram o processo. Vale salientar
também a importância da colaboração da orientação que foi além, construindo
participativamente o conteúdo da disciplina, bem como a interdisciplinaridade
na construção de uma promoção de educação científica com mais qualidade e
engajamento. O suporte final dos professores de Português, Inglês e Projeto de
Vida para análise da redação científica e formulação do abstract foi de uma grande contribuição para a conclusão da
atividade.
Tal
experiência denotou a importância do estudante adquirir as habilidades de
pesquisar, interpretar e realizar levantamentos de dados científicos
comprovados. Premissas essas que concedem qualidade ao ensino de EPT – Educação
Profissional e Tecnológica, pois proporciona ao estudante do ensino médio
integrado uma educação mais crítica, interdisciplinar, um conhecimento
relevante e aplicado, e não apenas voltado para formação da força de trabalho.
Contudo,
ainda existe o desafio de rever as práticas do professor e este investigar, a
partir das observações e conversas, os pontos adversos, para conseguir reverter
a importância do esforço da construção da educação científica em não
desistência. Esses acontecimentos atenuaram a necessidade da segunda fase do programa
do mestrado, que é o compromisso da construção de melhor planejamento de aula,
ou seja, uma sequência didática, a partir de uma metodologia ativa, da qual os
alunos participem mais direta e criticamente na construção do conhecimento.
Esse
material também poderá servir de apoio aos professores da área técnica, pois
muitos não possuem conhecimento pedagógico específico pela formação de
bacharelados e tecnólogos, como também pela escassez de materiais didáticos em
EPT direcionado ao público do Ensino Médio Integrado. Atualmente, o que mais
ocorre é a constante tentativa de adaptar recursos e literaturas do nível do
superior para os estudantes do nível médio técnico.
Erros e acertos importantes que
contribuem para a reflexão crítica do ensino e aprendizagem, que fazem do
professor um importante questionador das suas práticas, um investigador em
busca de resultados sustentáveis, viáveis e responsáveis socialmente,
confirmando, portanto a máxima da metodologia freiriana (1996) de que quem
ensina aprende, ao ensinar, ao passo que quem aprende, também ensina, ao
aprender.
Referências
COLÉGIO ESTADUAL CONCEIÇÃO DO
JACUÍPE. Projeto Político Pedagógico, 2017.
FRANKLIN, Yuri; NUSS, Luiz Fernando.
Ferramenta de Gerenciamento.
Resende: AEDB, Faculdade de Engenharia de Resende, 2006.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.
São Paulo: Paz e Terra, 1996.
HABERMAS, J. Técnica e ciência enquanto “ideologia”. In: BENJAMIN, W.,
HORKHEIMER, M., ADORNO, T.W., HABERMAS, J. Textos
escolhidos. 2.ed. São Paulo: Abril Cultural, 1983.
SANTOS, Wildson Luiz Pereira dos; MORTIMER,
Eduardo Fleury. Uma análise de pressupostos teóricos da abordagem C-T-S
(Ciência - Tecnologia - Sociedade) no contexto da educação brasileira. Ens. Pesqui. Educ. Ciênc. (Belo
Horizonte), Belo Horizonte, v. 2, n. 2, p.
110-132, Dez. 2000 . Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-21172000000200110&lng=en&nrm=iso. Acessado em: 03 de set.
2020.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA. Diretoria da Organização Curricular e
Pedagógica – DIROPE. Ementa – Técnico em Administração 2018.2. Disponível
em: http://escolas.educacao.ba.gov.br/. Acessado em: 31 de ago. 2020.
STRIEDER,
R. B. et al. A educação CTS possui
respaldo em documentos oficiais brasileiros? Rev. ACTIO, Curitiba, v. 1, n.
1, p. 87-107, jul./dez. 2016. Disponível em: http://periodicos.utfpr.edu.br/actio. Acesso em: 01 de set. 2020.
UNIVERSIA BRASIL. Faz Universitário oferece mais de cem bolsas de estudos. Notícia
replicada do Correio da Bahia. Disponível em: https://www.universia.net/br/actualidad/bolsas-de-estudo-e-subsidios/faz-universitario-oferece-mais-cem-bolsas-estudo-539458.html. Acessado em 28 de ago. 2020.
Trabalho instigante. Deixo aqui uma reflexão questionadora: os(as) estudantes, ou seja, utilizar esse termo para classificar pessoas, pode simplificar os sujeitos, que possuem uma complexidade o qual o conceito estudante não assimila. Como estimular que cada sujeito, orientado a partir do seu lugar de estudante, mas não somente (trato aqui de identidades e papéis sociais), possa se pensar no mundo-da-vida e sobretudo se projetar para ser um sujeito atuante e de transformação? Como a experiência de vocês podem nos inspirar a esta proposição?
ResponderExcluirRealmente, são belos interessantes
Excluirsujeitos complexos. Acreditamos que a transformação inicia-se pelo respeito as falas, aos diferentes posicionamentos, as intenções da construção pela coletividade. Mostrando que também nós, enquanto professores, somos sujeitos em aprendizagem, com eles e por eles. Agradeço muito pelas reflexões Prof. Davi.
A experiência relatada é bastante interessante. Muito bom ver a articulação entre a pesquisa da mestranada com seu espaço de traballho, bem como a troca de conhecimentos construídos entre os envolvidos. São valiosos os possiveis impactos do Programa de Pós-graduação em Educação Profissional e Tecnológica – PROFEPT , na contrução de recursos e experiências que favorecem o desenvolvimento de práticas pedagógicas comprometidas com a formação de sujeitos comprometidos com a transformação social.
ResponderExcluirMuito obrigada Marta pelas considerações! O programa do ProfEPT tem servido de base importante para essa importante transformação da prática educativa.
ExcluirParabéns a Rosenir e Fábio!!!! Traballho de grande qualidade, a preocupação em aprofundar os saberes sobre a pesquisa em cursos técnicos é muito relevante. A alfabetização científica ampliará de forma significativa a autonomia e a emancipação necessárias a formação destes jovens. Uma questão me instigou, a experiência da Feira Tec acontecei na escola há alguns anos, contudo nas edições anterior os trabalhos não conseguiam alcançar o nível necessário a participação em eventos científicos. O trabalho pontua questões provocavam essa problemática?
ResponderExcluirUilma dos Santos Ramos
Mestranda ProfePT / IF Baiano - Campus Catu
Estimada Uilma, agradecemos muito a apreciação! O trabalho informa que não havia anteriormente uma intenção da coordenação e professores sobre comunicação científica, apesar da grade curricular contemplar matérias com esse intuito a anos. E somente em 2019 a coordenação coloca a proposta de iniciar esse processo com a escrita de um paper.
ExcluirParabéns, pela pesquisa!
ResponderExcluirNós como professores devemos sempre enfrentar os desafios de engajar os alunos em diversas modalidades de pesquisas e enriquecer o saber e o aprender. Percebi que foram divididas em várias equipes de trabalho. Assim, gostaria de saber se todas seguiram a pesquisa sem restrições à público, investigação, ou se teve algum grupo que não conseguiu desenvolver a pesquisa? E ainda, se no final pensou em diminuir o número de grupos para um trabalho futuro?
Maria Erenita de Amorim Coelho
Muito obrigada pela apreciação Maria Erenita! O trabalho foi individual, por escolha deles. No quadro de lista de temas poderá conferir os títulos de cada paper desenvolvido por 16 estudantes, sendo que 8 não aceitaram realizar esse formato de atividade. Realmente é enriquecedor desenvolver outras habilidades de ensino e aprendizagem.
ExcluirEstimada Uilma, agradecemos muito a apreciação! O trabalho informa que não havia anteriormente uma intenção da coordenação e professores sobre comunicação científica, apesar da grade curricular contemplar matérias com esse intuito a anos. E somente em 2019 a coordenação coloca a proposta de iniciar esse processo com a escrita de um paper.
ResponderExcluirParabéns pelo relato de experiência a Rosenir e Fabio. Muito interessante este fazer ciência, tendo a juventude como protagonista das suas ações. Mais interessante ainda é poder levar a mensagem para outras instancias educativas a possibilidade de promover estes eventos que são importantíssimos para o despertar da educação através de estratégias metodológicas não condicionadas somente ao ambiente de sala de aula.
ResponderExcluirSó uma curiosidade: segundo seu relato estava previsto uma segunda etapa que seria uma sequencia didática. Esta etapa nã sua pesquisa não acontecerá mais? isto se deve ao fator Pandemia?
Parabéns pelo relato de experiência a Rosenir e Fabio. Muito interessante este fazer ciência, tendo a juventude como protagonista das suas ações. Mais interessante ainda é poder levar a mensagem para outras instancias educativas a possibilidade de promover estes eventos que são importantíssimos para o despertar da educação através de estratégias metodológicas não condicionadas somente ao ambiente de sala de aula.
ResponderExcluirSó uma curiosidade: segundo seu relato estava previsto uma segunda etapa que seria uma sequencia didática. Esta etapa nã sua pesquisa não acontecerá mais? isto se deve ao fator Pandemia?
Grato
Adilton Silva Gomes
ProfEPT - IBaiano/Catu
Caro Adilton, obrigada pelas considerações!!! Sobre a segunda etapa, realmente tivemos que adaptar devido a pandemia. Mas, sim, conseguimos recentemente aplicar. Estamos na fase de análise dos dados dessa aplicação.
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