PRÁTICAS INTEGRATIVAS DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

 


Márcia Maria de Jesus Santos. Instituto Federal de Sergipe. E-mail: ;marmjsantos@gmail.com; 
Aline De Jesus Sá. Instituto Federal de Sergipe. E-mail:alinejsa.aj@gmail.com;
Katinei Santos Costa. Secretaria Municipal de educação - SEED. E-mail: katineicosta@gmail.com;
Vitória Rodrigues Santos Pinheiro. Instituto Federal de Sergipe. E-mail: vrodrigues248339@gmail.com;
Suellen Cristina Atanazio Santos. Instituto Federal de Sergipe. E-mail: Suellen.ifs2017ele@gmail.com.

Introdução

Dentro do processo educativo está embutido diferentes elementos multidimensionais que podem e devem contribuir para a significação do ensino-aprendizagem. Cada componente curricular associado aos constituintes que perfazem as múltiplas escalas espaciais que circundam a realidade de cada escola formam a base teórica e prática da sedimentação, aplicação e transformação do conhecimento e do lugar no mundo. A não fragmentação desse conjunto de grande complexidade é uma via importante para proporcionar o exercício da criticidade dos envolvidos no processo educativo.
Diante desse intento, de articulação do conhecimento científico com as sociabilidades inerente ao lugar e a sua interdependência com as escalas mais amplas, neste relato, busca-se evidenciar a importância do protagonismo de alunos que compõem cursos técnicos integrado do Instituto Federal de Sergipe, campus Estância.
A constituição desse processo não se deu modo isolado apenas com a participação de alunos e professores envolvidos. Em todas as etapas a ação buscou integrar a comunidade em seu entorno, outras instituições de ensino e profissionais de diferentes áreas de conhecimento que agregaram conhecimento às ações de Educação Ambiental (EA) concretizadas na Instituição supracitada e propagadas além dos muros da Escola.
Esta experiência, se deu a partir da submissão de um Projeto de Extensão que foi realizado a partir dos pilares que a EA ambiental possibilita construir dentro do diálogo entre o conhecimento formal e o saber popular. O objetivo principal foi mobilizar a comunidade escolar e externa para implementar a troca de mudas e a criação de uma horta comunitária no Campus Estância. A partir deste objetivo várias ações foram concretizadas envolvendo diferentes agentes que contribuíram para concretizar ações que permitiram um novo olhar sobre as possibilidades que EA podem transformar o lugar, a partir do comprometimento com o seu o seu meio. 

Desenvolvimento

Dentro deste viés de participação ativa, se pode citar o conceito de Isabel de carvalho sobre Sujeito Ecológico. Segundo a autora, “a identificação social e individual com esses valores ecológicos é um processo formativo que se desenvolvido a todo momento, dentro e fora da escola, e que tem a ver como o que chamamos a formação de um sujeito ecológico e de subjetividades ecológicas” (CARVALHO, 2013, p. 115).
A partir dessas subjetividades, buscou-se de diferentes maneiras o despertar do sujeito ecológico, consoante as individualidades de cada agente envolvido, as especificidades do lugar e a amplitude do senso de coletividade. A junção desses elementos potenciais permitiu a obtenção de resultados além do proposto inicialmente.
O processo de construção foi alicerçado a partir de um diagnóstico do conhecimento prévio dos alunos e seus familiares sobre práticas sustentáveis no cotidiano. Assim, como das perspectivas de comprometimento com o meio para contribuir a própria qualidade de vida. Para a execução das atividades propostas no projeto foi efetuada a revisão da literatura de diferentes áreas do conhecimento, como Geografia, Biologia, Sociologia, Agronomia, dentre outras que deram suporte teórico para a execução de práticas executadas durante a vigência do projeto, sendo que algumas destas continuam, tanto no ambiente escolar quanto na residência de vários alunos, a exemplo da horta agroecológica.
A execução do projeto se deu dentro do viés de não fragmentar o conhecimento e o próprio sentido de Espaço Geográfico a partir da interdependência entre os lugares e dos seus elementos bióticos e abióticos. Assim, mesmo sendo ações localizadas, estas sempre estiveram associadas a temas socioambientais amplos que envolvem não apenas a qualidade de vida da sociedade atual e da vindoura, mas o sustentáculo ecológico para a manutenção da vida humana, ou seja, o equilíbrio de toda a cadeia ecológica. Neste sentido, os grandes temas socioambientais e políticos que afetam a dinâmica natural do planeta foram alicerce para gerar as discussões e as práticas desenvolvidas em todo o processo.

No Brasil, a EA é regulamentada a partir da Lei 9795/99, Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA), a qual prioriza sua prática enquanto um processo educacional mais amplo sendo esta “um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal” (BRASIL, 1999, p. 1).

Dentro desse ciclo de desenvolvimento, a EA deve estar presente em todas as fases do processo educativo. Contudo, torna-se muito mais fácil e espontânea quando ela é trabalhada desde na Educação Infantil. O trabalhar com ações sustentáveis e o contato com a natureza de forma contínua desde a primeira fase da educação básica, imprime resultados mais abrangentes e solidificados na corrente de propagação da EA (BJORGE et al., 2017).
Vale ressaltar que, ao corroborar com essa perspectiva de obtenção de resultados mais consolidados quando se trabalha a EA desde a infância, não pretendemos anular ou secundarizar a prática da EA nos demais níveis da educação. Deve-se ainda atentar para o fato de que o tratar deste tema em sala de aula é bastante recente no mundo e no Brasil (DIAS, 1998). Logo, nos demais níveis de ensino, se deve-se priorizar fortemente a EA, sobretudo, pela possibilidade da ausência ou pela abordagem deficiente nos demais níveis educacionais que esses estudantes tiveram ao longo da vida estudantil. Além disso, deve-se pensar ainda naqueles que não participam mais do ambiente escolar e que, durante a jornada estudantil, não tiveram a oportunidade de serem contemplados com temas que tratassem sobre a EA.

Ao conciliar as demandas globais e locais referentes ao meio ambiente juntamente com a PNEA, emergem várias questões a serem trabalhadas no ambiente escolar e difundidas até a sociedade em geral, a exemplo da arborização, coleta seletiva, áreas de lazer que integram o sujeito ao meio, redução do consumo desnecessário, dentre outras.

Diante dessa perspectiva abrangente de diversidade de pessoas que precisam ser atingidas pelas práticas de EA, cabe mencionar que:

O campo do educativo é bastante vasto, uma vez que a educação ocorre em muitos lugares e sob variadas modalidades: na família, no trabalho, na rua, na fábrica, nos meios de comunicação, na política, na escola. Ou seja, ela não se refere apenas às práticas escolares, mas a um imenso conjunto de outras práticas educativas (LIBÂNEO, 2002, p. 33).

Essa assertiva demonstra a abrangência que a educação exerce na sociedade. Assim, cabe à escola oportunizar a integração entre os diferentes meios de convívios sociais, a partir de ações em que se permitam articular a teoria com a prática.

A partir dessa correlação, nesta pesquisa buscou-se priorizar e contribuir com a difusão da EA articulada à educação formal e à inclusão dos familiares dos alunos. Assim, priorizou articular elementos pertencentes à escala geográfica local, junto aos grandes temas socioambientais que se propagam em todas as escalas geográficas.
Ao recapitular algumas atividades realizadas durante a vigência desse projeto, pode-se citar a catalogação dos tipos de plantas presentes nas residências dos alunos, do Campus Estância. Logo após, foi determinada a área de cultivo para a implantação da horta no Campus. Posteriormente, foi realizada uma visita à cidade de Itabaiana - SE até uma propriedade rural onde os alunos bolsistas e voluntários conheceram algumas plantações de hortaliças orgânicas. Em seguida foi realizada uma visita técnica ao parque da sementeira situado na cidade de Aracaju - SE para a capacitação acerca de substratos.
Ademais, foi realizada a Primeira Semana da Sustentabilidade no Campus Estância. Este Evento foi propagado em todas as escolas que presentes na sede municipal da supracitada cidade. Assim, participaram das atividades os alunos do Instituto Federal de Sergipe, Campus Estância, e comunidades escolares privadas, municipais, estaduais, além de estar aberto à comunidade em geral. O evento foi coordenado pelos envolvidos nos projetos de extensão “Horta Solidária” e “Reciclando Atitudes”. O intuito da Semana da Sustentabilidade foi propagar a educação ambiental por meio de práticas sustentáveis, tendo como ferramentas para a multiplicação da EA, a partir de palestras, oficinas e minicursos, assim como a doação de mais de 5 mil mudas de plantas.
Todas as atividades tiveram um grande papel na multiplicação de práticas sustentáveis, visto que, possuíam como ferramentas a junção da teoria e prática para a melhora na propagação do conhecimento sustentável. Dessa forma, pode -se destacar os minicursos “Implementação de hortas” e “Compostagem para a redução de resíduos e produção de adubo” e a palestra sobre as “Alternativas sustentáveis de cultivo de plantas em ambiente doméstico”, onde o público pôde observar os cuidados necessários para o cultivo de plantas em ambientes residenciais. Posteriormente, os alunos e demais participantes, partiram para a implementação da horta no campus. A Ação foi integradora, pois todos tiveram participação na elaboração da horta presente na instituição.
Ao dar sequência, cabe ressaltar ainda a atividade efetivada I Semana da criança. Com a proposta de propagar o conhecimento e ensinar para as crianças sobre EA e sustentabilidade, na Escola Municipal Laura Cardoso, localizada nas proximidades do Instituto Federal de Sergipe, Campus Estância. Coordenada pelos orientadores do projeto, bolsistas e voluntários, além da contribuição de mais de 20 alunos do próprio Instituto.
Nesta ação foram realizadas oficinas, peça teatral e jogos para as crianças. Tais oficinas foram de confecções de brinquedos recicláveis, porta lápis reciclável, produção de terrários, pintura no rosto das crianças. Atendendo o público da creche que participaram oitenta crianças. Ademais foram ofertados lanches contendo alfaces colhidas da horta do Campus
A peça teatral apresentada foi realizada com a participação dos alunos do campus, para ministrar cada papel, a mesma consistia no ensinamento sobre EA abrangendo sobre o assunto do desmatamento e poluição. Sendo um dos grandes problemas ambientais da atualidade, o desmatamento de forma ilegal e em grande quantidade, traz grandes problemáticas para o meio ambiente, como a diminuição das plantas que consecutivamente intensifica o aquecimento global do planeta. Por isso, umas das maneiras mais eficaz e integradora, é ensinar desde pequeno para as crianças a importância das plantas e do meio onde vivem.
O desenvolvimento dessas atividades permitiu evidenciar que a interação entre os alunos, se mostra importante, juntamente com a integração social a partir do compartilhamento de saberes. As atividades extraclasse viabilizam que os alunos interajam melhor entre os colegas e professores e a própria comunidade em que vive, propagando o conhecimento entre os familiares, amigos e outras instituições educacionais (figuras A e B).

Figuras A e B: Peça teatral e brincadeiras de roda com as crianças realizada na Semana da Criança. 
Fonte: Trabalho de Campo, 2018
Dentro das atividades desenvolvidas durante a vigência do Projeto, pode-se citar ainda a exposição na IV Feira de Ciências do Instituto Federal de Sergipe, Campus Estância. O bolsista e voluntário do projeto, ficaram responsáveis em apresentarem alguns métodos sobre a implantação de hortas em grandes e pequenos espaços, os principais nutrientes que as plantas precisam para a sua sobrevivência e algumas maneiras fáceis para manter as plantas vivas, principalmente hortaliças.

Figura C e D: Exposição das alfaces, adubos orgânicos e explicação aos convidados na Feira de Ciências
Fonte: Trabalho de Campo, 2018.


Considerações finais

Dentre as várias contribuições do Projeto, pode-se citar o despertar dos grandes temas socioambientais e os seus respectivos impactos no cotidiano de cada ser social, assim como foi construída uma visão abrangente sobre a importância das pequenas ações que a própria população pode efetuar contribuindo para uma melhor qualidade de vida e sustentabilidade do planeta.
Outrossim, a abrangência da contribuição no entrono escolar foi de grande relevância. Foi perceptível que ocorreu o despertar sobre a Educação Ambiental diretamente com alunos e professores das escolas que tiveram envolvimento com as atividades do projeto. Se pode constatar os bons resultados tanto nas escolas que visitaram o Campus, no total de 8 escolas visitantes, quanto aquelas em que foram visitadas pelos integrantes do projeto e demais voluntários. Neste sentido, se torna evidente, a partir da teoria apreendida, juntamente com a vivência prática a importância de se aplicar a EA no cotidiano de todos nos diferentes recortes espaciais. Ressaltando assim, o valor da coletividade e da economia solidaria que foi praticada e propagada nas atividades executadas.

 

REFERÊNCIAS

BJORGE, S.; HANNAH, T.; REKSTAD, P.; PAULY, T.. The Behavioral Effects of Learning Outdoors. In: Masters of Arts in Education Action Research Papers. (2017). Disponível em: http://sophia.stkate.edu/maed/232

BRASIL. Congresso Nacional. Lei n. 9.795/99. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília, DF, 1999.Disponível em: http://www.planalto.gov.br/cCIVIL_03/LEIS/L9795.htm. Acesso em: 17 Abr. 2018.

CARVALHO, Isabel Cristina de Moura . O sujeito ecológico: a formação de novas identidades na escola. In: Pernambuco, Marta; Paiva, Irene. (Org.). Práticas coletivas na escola. 1ed.Campinas: Mercado de Letras, 2013, v. 1, p. 115-124.

DIAS, Genebaldo Freire. A Implantação da Educação Ambiental no Brasil. 1ªed. Brasília: MEC, 1998.

LIBÂNEO, J.C. Ainda as perguntas: o que é pedagogia, quem é o pedagogo, o que deve ser o curso de pedagogia. In: PIMENTA, S. G. (Org.). Pedagogia e pedagogos: caminhos e perspectivas. São Paulo: Cortez, 2002. p. 59-97



Comentários

  1. Bom dia !

    Parabéns!
    Muito interessante , o desenvolvimento desse trabalho ofereceu a oportunidade da comunidade e das famílias estar presente na escola. E as atividades realizadas pelos alunos foram diversificadas proporcionando assim que eles próprios escolhessem o qual mais despertou o interesse. Conforme (CAPRA, 2006).O ser humano deve se tornar ecologicamente alfabetizado ou “eco-alfabetizado”,o que implica na compreensão dos princípios dos ecossistemas (organização das comunidades ecológicas) e saber como utilizar apropriadamente tais princípios para formar comunidades humanas sustentáveis.

    Ilza
    Campo Grande/MS.


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    1. Prezada IIza muito obrigada pelo seu comentário. Dentro dessa perspectiva da necessidade de tornar os indivíduos seres "eco-alfabetizados" pode-se relacionar com o princípio: " Ética da responsabilidade com as gerações futuras" criada pelo Filósofo Hans Jonas, que mostra o dever de cada indivíduo na atuação de forma consciente sobre todos os recursos extraídos da natureza. E para isso, a Escola deve estar à frente para contribuir no direcionamento de desenvolver a criticidade de sua comunidade e estender até ao meio que o circunda. A EA deve estar presente em todas as esferas sociais, não apenas para formar comunidades economicamente sustentáveis, mas para mudar o cenário de degradação que avança ao longo dos séculos de exploração. A oportunidade de interagir com trabalhos sobre essa temática em diferentes escalas geográficas também se torna mais uma importante ferramenta pedagógica para impulsionar a EA no nosso cotidiano.

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  2. Parabéns pelo excelente trabalho!

    É imprescindível fomentarmos a elaboração de projetos que compreendam o Meio Ambiente a partir de uma perspectiva holística.
    O tema Meio Ambiente não poderia ser mais atual, tendo em vista que vivemos um período de extrema regressão da qualidade ambiental, em que se prioriza apenas as benesses do lucro, em detrimento da qualidade ambiental.
    A Educação Ambiental emerge como uma necessidade, um princípio em que deve ser trabalhado em todas as escolas.

    Assim, gostaria de saber se os pesquisadores tem acompanhado os lócus onde o projeto foi implantado?
    Foram adotadas outras práticas de E.A no contexto escolar?

    Obrigada pelo compartilhamento,
    Att, Lília.

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    1. Prezada Lília, agradecemos a sua contribuição. A construção desse projeto foi muito gratificante em todos os sentidos, e sobretudo, pela integração e comprometimento que os alunos e seus familiares tiveram desde o início. A participação de outros professores de diferentes áreas, como a Engenharia civil e elétrica, também foram cruciais para automatizar a horta e repassar o conhecimento para os alunos, os quais já dissipam o conhecimento. Desde o ano passado, eu me afastei do Campus, devido uma capacitação. Mas, vários alunos estão à frente das atividades de modo voluntário. Foram adotadas, ainda, a compostagem, a partir dos restos de alimentos e o incentivos para reciclagem e redução de descartáveis sempre estendendo aos familiares da comunidade escolar.
      Atenciosamente,
      Márcia Santos

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  3. Muito bom o relato de experiência. Sem dúvidas, impactou muitas pessoas e mudou suas perspectiva sobre a EA, digo. Gostei bastante como você se embasou na Geografia, Biologia, Sociologia, para aventurar-se a produzir o relato. Não tenho dúvidas, o trabalho foi redigito de forma clara e objetiva. Parabéns.

    Jerfeson Alves da Costa

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